Darcy

A vida de Darcy Ribeiro em Maricá é tema do nono webnário em homenagem ao centenário do educador

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Foi na cidade que o pensador construiu seu lar e se refugiou para lançar seu mais relevante livro, ‘O Povo Brasileiro’

A série de webnários para celebrar o centenário do antropólogo e educador Darcy Ribeiro chega à nona edição, no dia 17 de agosto, às 19h,  com um tema especial: Darcy em Maricá. A cidade foi escolhida pelo pensador como lar. Foi na Praia de Cordeirinho que ele construiu a sua casa e terminou a obra de uma vida, o livro “O Povo Brasileiro”. As palestras híbridas são uma iniciativa da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar) em parceria com a Fundação Darcy Ribeiro e tem curadoria de Heloisa Buarque de Hollanda.

Vão participar do bate-papo o presidente da Fundação Darcy Ribeiro, José Ronaldo Alves da Cunha; e a professora colaboradora da Diretoria de Economia Criativa e Sustentabilidade da Codemar, Rita Rosa; entre outros importantes nomes da Educação.

O artista MC Marechal também se apresentará. O rapper leva, além da música, literatura e conhecimento nos seus shows. Ele criou, há cerca de dez anos, o projeto Livrar. Ele leva e distribui livros de autores independentes nos seus shows.

Assim como as edições anteriores, o webnário será transmitido on-line no canal da Prefeitura de Maricá no Youtube (@prefeiturademarica1). Os encontros contam com a participação de poetas e MCs de grupos artísticos do município que se apresentam e batalham nos intervalos.

Obra de uma vida

Foi em Maricá que Darcy se refugiou, doente e depois de fugir do hospital, para concluir o seu livro “O Povo Brasileiro”, uma obra lançada em 1995 e que segue atual e nos ajuda a entender a sociedade brasileira e a construir as ferramentas que nos ajudarão a mudar o que precisa ser reformulado para que o país seja realmente de todos.

No prefácio, o autor cita sua relação com a cidade que o inspirou a finalizar o livro escrito e reescrito por 30 anos:

“Nesses anos todos, o livro, este, ficou por aí, engavetado, amarelando, esperando até hoje. Agora, estou aqui na praia de Maricá, para onde trouxe as pastas com o papelório de suas várias versões”, contou

“Escrever este livro foi o desafio maior que me propus (…) essa angústia se aguçou porque me vi na iminência de morrer sem concluí-lo. Fugi do hospital, aqui para Maricá, para viver e também para escrevê-lo. Se você, hoje, o tem em mãos para ler, em letras de forma, é porque afinal venci, fazendo-o existir. Tomara”, concluiu.

Ícone da Educação e Antropologia

Darcy Ribeiro foi um dos maiores pensadores do Brasil. Nas décadas de 1940 e 1950, ainda um jovem, decidiu morar com indígenas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país. Viver com os indígenas era parte da necessidade que tinha de entender os povos originários.

Na casa dos 30 anos, deixou a vida com os indígenas (mas sem nunca abandonar a defesa dos povos originários) e conviveu com nomes como Anísio Teixeira. Foi com ele que se apaixonou pela Educação e se transformou num dos grandes defensores da educação pública e para todos.

Foi ministro da Educação de João Goulart (deposto pelo golpe militar), quando ajudou a criar a Universidade de Brasília.  Depois do exílio no Uruguai, veio para o Rio de Janeiro, onde, aliado com Leonel Brizola, pode pôr em prática seu projeto revolucionário de educação integral, os CIEPs, apelidados de Brizolões. Os primeiros foram construídos em meados dos anos 1980. Foi nessa época que proferiu, durante um discurso, uma frase quase profética: “Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”.

Foto: Divulgação

Fonte: Codemar

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