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Min Aung Hlaing reforça parceria com China e avança corredor econômico

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Xi Jinping e Min Aung Hlaing assinaram 18 acordos focados em cooperação bilateral nas áreas do comércio e infraestrutura

O presidente de Myanmar, Min Aung Hlaing, realiza uma visita de Estado à China entre os dias 15 e 19 de junho, em uma agenda que inclui encontros com as principais lideranças do país e o avanço de projetos estratégicos de integração regional, com destaque para o corredor econômico que liga a província de Yunnan ao Oceano Índico.

Nesta terça-feira, o líder birmanês teve seu principal compromisso em Pequim em um encontro de alto nível com o presidente chinês, Xi Jinping, no Grande Palácio do Povo. Durante a reunião, Xi afirmou que a China está disposta a “carregar adiante a amizade fraterna pauk-phaw” e aprofundar a cooperação estratégica abrangente com Myanmar.

O termo “pauk-phaw” é amplamente utilizado na diplomacia entre os dois países e faz referência aos laços históricos de amizade e fraternidade que Pequim e Naypyidaw afirmam manter há décadas.

“Estou disposto a trabalhar junto com o senhor para produzir mais resultados na construção de uma comunidade China–Myanmar com futuro compartilhado”, disse Xi.

O conceito de “comunidade com futuro compartilhado” ocupa posição central na política externa chinesa e é utilizado por Pequim para defender relações internacionais baseadas em cooperação de longo prazo, desenvolvimento comum e benefícios mútuos.

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Durante a visita, foram assinados 18 acordos de cooperação em áreas como comércio, infraestrutura, desenvolvimento econômico e assistência em desastres naturais, consolidando um novo pacote de entendimentos bilaterais.

Em resposta, Min Aung Hlaing afirmou que “Myanmar atribui grande importância às relações com a China e está disposto a aprofundar a cooperação prática em diversas áreas e fortalecer a amizade entre os dois países”.

O líder birmanês também reiterou o apoio de seu país ao princípio de Uma Só China, que considera territórios como Taiwan e Hong Kong como partes indissociáveis do país. “Myanmar apoia firmemente o princípio de Uma Só China”, afirmou.

A reunião concentrou-se no fortalecimento da cooperação estratégica bilateral, na estabilidade regional e na continuidade dos projetos de conectividade entre os dois países.

Além do encontro com Xi Jinping, Min Aung Hlaing também se reuniu com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comitê Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji. Os encontros fizeram parte da agenda institucional da visita de Estado e tiveram como foco o aprofundamento da cooperação econômica, comercial e legislativa entre os dois países.

Corredor China–Myanmar ganha impulso com visita de Estado

O principal resultado estratégico da visita de Min Aung Hlaing a Pequim foi o avanço do Corredor Econômico China–Myanmar (CMEC), um dos projetos estruturantes da Iniciativa Cinturão e Rota, conhecida como Nova Rota da Seda. Durante o encontro com Xi Jinping, os dois governos concordaram em acelerar projetos prioritários de conectividade e infraestrutura, considerados centrais para a integração econômica bilateral.

O corredor prevê a ligação entre a província chinesa de Yunnan e o Oceano Índico, atravessando Myanmar em um eixo de mais de mil quilômetros. O trajeto inclui a rota entre Muse, Mandalay e o porto de águas profundas de Kyaukphyu, no estado de Rakhine, considerado um ponto estratégico de saída marítima para o sudoeste da China.

O projeto combina diferentes modais de infraestrutura. A ferrovia Muse–Mandalay–Kyaukphyu, ainda em fase de planejamento e negociação, é estimada em cerca de 431 quilômetros e já foi avaliada em aproximadamente US$ 9 bilhões. A ela se somam rodovias, zonas econômicas especiais e um sistema de logística integrado.

Além da infraestrutura em construção, o corredor já conta com ativos em operação. Um oleoduto e um gasoduto que atravessam Myanmar permitem o transporte direto de energia para a China, com capacidade estimada de cerca de 22 milhões de toneladas de petróleo por ano e 12 bilhões de metros cúbicos de gás natural anuais, reduzindo a dependência chinesa das rotas marítimas que passam pelo Estreito de Malaca.

No total, estimativas apontam que o conjunto de projetos associados ao corredor pode mobilizar mais de US$ 15 bilhões em investimentos ao longo de sua consolidação.

Para a China, o corredor tem importância estratégica por diversificar rotas de acesso ao Oceano Índico e reduzir vulnerabilidades logísticas em pontos sensíveis do comércio marítimo global. Para Myanmar, o projeto é apresentado como uma oportunidade de expansão da infraestrutura nacional, atração de investimentos e desenvolvimento de regiões ao longo da rota.

A assinatura dos 18 acordos durante a visita de Estado é vista como um passo para acelerar etapas pendentes do projeto e reforçar a coordenação entre os dois países na sua implementação.

Fonte: Brasil de Fato

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