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Justiça de Israel prorroga detenção de brasileiro e ativista

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Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, da Global Sumud Flotilha, tiveram prisão estendida até domingo.

O juiz do Tribunal Magistrado, Yaniv Ben-Haroush, aprovou nesta terça-feira (5) o pedido do Estado de prorrogação da detenção do palestino-espanhol Saif Abu Keshek e do brasileiro Thiago Ávila até domingo (10) às 9h, horário local (3h da manhã pelo horário de Brasília). No entanto, nenhuma acusação formal foi apresentada. Os ativistas são organizadores da Global Sumud Flotilha e foram sequestrados em águas internacionais na última quinta-feira (30).

Segundo a Adalah, associação jurídica de direitos humanos que os representa, eles compareceram à segunda audiência na cidade de Ashkelon. Em nota, o grupo reiterou que as “alegações contra eles são infundadas e não há fundamentos legais para a continuação de sua detenção”.

“A Adalah esclarece que nenhuma acusação formal foi apresentada, e sua detenção ocorre para fins de interrogatório em andamento”, denunciou. Além de reiterar que ambos não são cidadãos israelenses nem estavam nas águas de Israel, argumentando que “a lei doméstica israelense não se aplica a eles”.

A aprovação de Ben-Haroush baseia-se em parte em evidências secretas que nem os ativistas nem seus advogados tiveram permissão para examinar, declarou a defesa.

“Crucialmente, o tribunal concedeu a extensão completa de seis dias solicitada pelo Estado sem impor quaisquer limitações ou restrições judiciais ao período de interrogatório.”

Em resposta à decisão, a Adalah declarou que recorrerá imediatamente ao Tribunal Distrital para contestar esta decisão e exigir a libertação imediata e incondicional de Thiago e Saif.

Durante uma audiência anterior, o promotor estatal israelense apresentou uma lista de supostas infrações, incluindo auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com agente estrangeiro, filiação e prestação de serviços a uma organização terrorista, e transferência de propriedade para uma organização terrorista.

Nesse contexto, a defesa enfatizou que “não há conexão entre o envio de ajuda à população civil por meio de uma flotilha humanitária e qualquer ‘organização terrorista’”.

Ambos os ativistas permanecem em isolamento total, submetidos a iluminação de alta intensidade 24 horas por dia em suas celas e mantidos com os olhos vendados sempre que são movimentados, inclusive durante exames médicos. Adalah acrescenta que eles continuam em greve de fome, consumindo apenas água desde a madrugada de quinta-feira (30), em protesto contra seu sequestro e o tratamento desumano.

Fonte: Brasil de Fato

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