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Irã diz que negociações com EUA avançaram, mas acordo segue distante

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Teerã acusa Israel de influenciar Washington e dificultar o ‘entendimento entre os países’ para o fim da guerra

O Irã afirmou nesta segunda-feira (25) que houve avanços nas negociações com os Estados Unidos para encerrar a guerra iniciada pelo país norte-americano e por Israel, mas disse que um acordo ainda não está próximo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, declarou que parte das questões em debate já foi concluída após semanas de conversas mediadas pelo Paquistão.

“É verdade que chegamos a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão”, afirmou Baqaei durante entrevista coletiva em Teerã. “Mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar”, disse.

Segundo o porta-voz, posições contraditórias adotadas pelos Estados Unidos dificultam o avanço das negociações. Ele afirmou que há “desorganização” no processo de tomada de decisão em Washington e citou divergências internas, renúncias e pressões políticas. Baqaei também acusou Israel de influenciar o cenário político estadunidense.

Segundo ele, a influência de Israel sobre setores políticos dos Estados Unidos contribui para ampliar as contradições dentro de Washington e dificulta a construção de um entendimento entre os países.

O governo iraniano afirmou que não há prazo definido para a conclusão do entendimento. De acordo com Baqaei, o objetivo de Teerã é alcançar um resultado que preserve os interesses nacionais iranianos. Ele disse ainda que um memorando com 14 artigos discute o fim da guerra, a situação do Estreito de Ormuz e medidas relacionadas ao que chamou de “pirataria” dos Estados Unidos contra o Irã.

O porta-voz afirmou que, neste momento, o Irã não está discutindo detalhes do programa nuclear e que o foco das negociações está concentrado no encerramento do conflito.

Irã fala em cobrança por serviços no Estreito de Ormuz

O governo iraniano também informou que pretende cobrar taxas por serviços de navegação de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz. Segundo Baqaei, os custos estariam ligados à navegação segura e à proteção ambiental na região do Golfo Pérsico e do Mar de Omã.

“Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, assim como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Mar de Omã, exigem a cobrança de certas taxas”, declarou.

O porta-voz afirmou que o Irã “não busca cobrar pedágios” e disse que o país trabalha com Omã na formulação de um mecanismo para garantir a passagem segura de navios na região. Segundo ele, apenas Irã e Omã têm responsabilidade direta sobre a administração do estreito.

Baqaei declarou ainda que outros países estariam adotando medidas que tornam a situação mais complexa. O representante iraniano afirmou que Teerã mantém contato com diferentes atores internacionais para acelerar a criação de um mecanismo de navegação.

O vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi esteve em Omã para discutir o tema. Segundo Baqaei, o Irã considera que a segurança do Estreito de Ormuz é uma preocupação global e que o país precisa equilibrar seus interesses de segurança com as demandas da comunidade internacional.

Fonte: Brasil de Fato

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