China classifica eleições de meio de mandato dos EUA como assunto interno e reforça cooperação
Mao Ning ressalta respeito à soberania americana enquanto aponta para a estabilidade estratégica entre os dois países
O governo chinês afirmou que as eleições para o Senado, Câmara de Representantes e Governadores nos Estados Unidos (conhecidas como eleições de meio de mandato, as midterms) são um assunto interno do país. A fala é da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, na coletiva diária desta quarta-feira (4), em resposta a uma pergunta de um correspondente de uma mídia estadunidense.
“As eleições de meio de mandato dos EUA são um assunto interno. A China está disposta a continuar trabalhando com os Estados Unidos para preservar e implementar os importantes consensos alcançados pelos dois chefes de Estado, reforçar a comunicação, lidar adequadamente com as diferenças, ampliar a cooperação e construir uma relação construtiva de estabilidade estratégica, com base no respeito, na equidade e na reciprocidade”, disse Mao.
Em sua tradição diplomática, o governo chinês não costuma comentar eleições locais ou legislativas de outros países.
A dimensão da derrota dos Republicanos
No Senado, os democratas chegaram a 54 cadeiras, sete a mais que na legislatura anterior, contra 44 dos republicanos, segundo a Associated Press, a mídia que faz a cobertura mais extensa em eleições.
Na Câmara, os democratas já haviam garantido 258 cadeiras contra 177 dos republicanos, segundo projeção da NBC. Já a AP, até o momento da publicação desta nota, contabiliza 228 contra 139, respectivamente. Duas disputas seguiam sem resultado.
Um dos destaques foi a vitória do democrata Abdul El-Sayed, que derrotou o republicano Mike Rogers em Michigan e se tornou o primeiro muçulmano eleito para ocupar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos.
Nos EUA, não há um órgão central eleitoral. A contagem de votos é feita em nível local (condados, cidades), e a certificação dos votos é feita por um órgão estadual. Por isso, e pelo fato de o voto não ser eletrônico, a contagem leva dias. Assim, tradicionalmente são as mídias que enviam pessoas para monitorar a contagem nos locais de votação.
Nos governos estaduais, os democratas venceram 22 das 36 eleições realizadas e passarão a administrar, até o momento, 28 dos 50 estados, contra 20 dos republicanos. Há ainda dois estados por definir, segundo a AP. Os democratas tiraram o governo dos republicanos nos estados do Texas, Geórgia, Ohio, Iowa e Nevada.
No Texas, Gina Hinojosa encerrou três décadas de domínio republicano. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra eleita governadora no país. Em Nevada, Aaron Ford será o primeiro governador negro do estado.
O Senado também mudou de mãos no Texas, com James Talarico derrotando o procurador-geral Ken Paxton, que contou com US$ 224 milhões que o empresário Elon Musk destinou à campanha republicana, segundo a CNBC.
Fonte: Brasil de Fato
