Alemanha critica EUA e Trump anuncia retirada de tropas
Decisão dos Estados Unidos aumenta tensão com aliados e pressiona Europa por mais autonomia militar
A Alemanha e a Otan defenderam, neste sábado (2), o reforço da autonomia de defesa da Europa depois que os Estados Unidos anunciaram a próxima retirada de cinco mil soldados posicionados no país germânico. A decisão do presidente estadunidense, Donald Trump, ocorre após o governo alemão ter declarado que o Irã “humilhou” os EUA na guerra iniciada por Washington.
A medida anunciada na sexta-feira pelo Pentágono representa um novo revés nas relações transatlânticas, severamente deterioradas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. O número representa cerca de 15% dos 35 mil soldados estadunidenses presentes no país europeu, cujo ministro da Defesa minimizou o assunto.
“Esperava-se que tropas dos Estados Unidos fossem retiradas da Europa, e também da Alemanha”, comentou Boris Pistorius, em declaração enviada à AFP por seu gabinete.
“Nós, europeus, temos que assumir uma responsabilidade maior por nossa segurança”, acrescentou o ministro.
Segundo o porta-voz do Pentágono, a retirada deverá ser concluída “em um prazo próximo de seis a 12 meses”.
Washington sem estratégia e humilhada
Washington fez o anúncio após uma troca de declarações entre as duas potências, em um contexto de críticas do presidente Donald Trump a seus parceiros europeus por não lhe darem apoio em sua campanha militar contra o Irã.
O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, irritou o magnata estadunidense na segunda-feira ao declarar que Washington não tem “nenhuma estratégia” no Irã e que a república islâmica “humilhou” a primeira potência mundial.
“Ele acha que está tudo bem que o Irã obtenha a arma nuclear. Não sabe nem do que está falando”, respondeu Trump na terça-feira.
A Otan afirmou, neste sábado, que está “trabalhando com os Estados Unidos para entender os detalhes de sua decisão sobre o dispositivo militar na Alemanha”, escreveu sua porta-voz, Allison Hart, na rede social X.
“Este ajuste ressalta a necessidade de que a Europa continue investindo mais em Defesa e assuma uma parte maior de sua responsabilidade em nossa segurança compartilhada”, acrescentou a porta-voz.
Desde o início de seu segundo mandato, a administração Trump se mostra hostil a seus aliados tradicionais europeus, que o presidente acusa de não investir o suficiente em sua segurança.
A aproximação de Washington e Moscou em plena guerra na Ucrânia e as ameaças de Trump de tomar a Groenlândia da Dinamarca, uma aliada da Otan, levaram várias capitais europeias a apostar em maior autonomia.
Nesse sentido, Hart destacou como “avanço” o compromisso adotado no ano passado pelos membros europeus da Aliança – com exceção da Espanha – de investir 5% de seus respectivos PIBs em Defesa, como Trump exigia.
Pistorius argumentou, em todo caso, que a presença estadunidense na Alemanha “interessa” às duas partes, já que essas tropas servem para a “dissuasão coletiva” diante da percepção de ameaça da Rússia.
O ministro também destacou que os Estados Unidos utilizam suas bases militares na Alemanha para defender “seus interesses em matéria de política de segurança na África e no Oriente Médio”, incluindo o Irã.
Da mesma forma, e em sintonia com a exigência da administração Trump de que a Europa faça mais por sua própria defesa, o ministro lembrou que a Alemanha está fortalecendo seu Exército, após décadas de subfinanciamento.
Berlim tem o objetivo declarado de enfrentar a Rússia e reduzir sua dependência dos Estados Unidos em matéria de Defesa, diante de um Trump que coloca em dúvida o compromisso de seu país com a segurança da Europa.
Em 2020, durante seu primeiro mandato, o republicano já ameaçou reduzir para 25 mil o número de soldados dos EUA na Alemanha, ao considerar que este país gastava muito pouco em Defesa. Seu sucessor, o democrata Joe Biden, não executou o plano de redução.
Entre as várias bases estadunidenses na Alemanha, a de Ramstein tem importância particular para as mobilizações e operações dos EUA no Oriente Médio.
Os Estados Unidos também armazenam armas nucleares em Büchel, no oeste.
Em Stuttgart fica o comando estadunidense para a Europa e a África, enquanto Grafenwöhr, na região da Baviera, abriga um imenso campo de treinamento, e Landstuhl conta com um importante centro médico do Exército dos EUA.
Sobre o autor(a)
Francisco Carvalho
Supervisor de Operações de Sistemas de Televisão e Produtoras de Vídeo e criador do site M1NewsTV – Maricá Notícias.
Sou formado em Edição de Imagem pelo Departamento Técnico da TV Manchete Rádio Difusão Som e Imagem e atuei como Editor e Sonoplasta na CGJ/TV Globo.
Entre 1995 e 2014, trabalhei por 16 anos como Editor de Imagens no programa Globo Repórter.
Com 35 anos de carreira na área do audiovisual, sou responsável técnico pelo M1NewsTV. Também atuo como escritor, cinegrafista e editor de vídeo, com ampla experiência no audiovisual e no jornalismo.
