Escalada de tensão no conflito entre Irã e Estados Unidos passa a envolver países vizinhos e impacta economia mundial
Ataques recentes no Estreito de Ormuz elevam preço do petróleo e afastam possibilidade de negociações diplomáticas entre as nações
Depois de iniciarem a estratégia de pressão econômica contra o Irã, os Estados Unidos realizaram ataques contra o país persa, neste domingo (31), que respondeu atingindo alvos militares estadunidenses na Jordânia e nos Emirados Árabes. A guerra entre os países entra no sétimo mês e o impasse continua sendo a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.
Os novos ataques contrastam com declarações recentes do governo de Donald Trump, que dizia priorizar a pressão econômica sobre Teerã.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a jornalista Flávia Gianini, especialista em economia e política internacional, avalia que a movimentação coloca o conflito em rota de escalada.
“Cada lado passa a interpretar a ação do outro como uma justificativa para a próxima retaliação. E existe uma diferença importante em relação às semanas anteriores. O ataque americano ocorreu justamente em Larak, dentro do Estreito de Ormuz, que é uma das áreas mais sensíveis da economia mundial”, destaca.
A jornalista afirma que a atual fase do conflito tem tido foco na rota marítima e na infraestrutura energética. Nesse sentido, a guerra vem deixando cada vez mais de ser bilateral e envolvendo países do entorno. Além disso, Gianini avalia que a disputa de narrativa dos ataques virou parte da guerra.
“A Jordânia abriga instalações utilizadas pelas forças americanas e o Irã afirmou ter atacado duas bases. O exército jordaniano informou que interceptou oito mísseis. Nos Emirados Árabes, a situação é mais ambígua ainda. Teerã afirma que atingiu uma instalação americana, mas Abu Dhabi negou que a base de Al Minhad tenha sido alvo e informou ter interceptado um drone iraniano sobre águas territoriais”, pontua.
Flávia Gianini destaca que essa nova troca de agressões pressiona a situação do Estreito de Ormuz, fazendo com que o preço do petróleo dispare. “Quanto mais tempo a guerra durar, maiores são os custos militares, energéticos e políticos para os Estados Unidos. O próprio mercado está mostrando isso. Cada nova escalada produz imediatamente pressão sobre petróleos, sobre a bolsa e sobre a inflação”, alerta.
A jornalista observa que os caminhos diplomáticos estão cada vez mais distantes. “Esse espaço de negociação diplomática pode desaparecer se ocorrer um ataque com muitas vítimas americanas ou iranianas ou se houver uma interrupção prolongada no tráfico de Ormuz”, pondera.
Fonte: Brasil de Fato
