Flávio Bolsonaro se reúne com Trump e fala em PCC como grupo terrorista
Senador brasileiro afirmou que proposta foi apresentada durante encontro na Casa Branca; reunião também contou com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo
Depois de semanas de especulações, o senador Flávio Bolsonaro se reuniu nesta terça-feira (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. Durante o encontro, o parlamentar brasileiro pediu que o governo norte-americano classifique o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.
Segundo Flávio Bolsonaro, o objetivo da visita foi apresentar ao governo dos Estados Unidos uma política de enfrentamento ao crime organizado diferente da adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O objetivo central da minha visita foi oferecer aos Estados Unidos uma alternativa ao que o Lula veio fazer aqui há poucas semanas. Enquanto o Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficantes, eu vim fazer exatamente o contrário”, declarou o senador durante entrevista coletiva.
Flávio afirmou ainda que as facções criminosas controlam territórios no Brasil por meio da violência e que a classificação como grupos terroristas ajudaria no combate internacional às organizações.
Em março, o jornal The New York Times publicou reportagem informando que autoridades dos Estados Unidos avaliavam enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, medida que pode abrir espaço para ações mais amplas do governo norte-americano fora do país.
Durante a agenda em Washington, Flávio Bolsonaro também disse que pretende aproximar o Brasil de uma aliança internacional formada por governos conservadores da América Latina e pelos Estados Unidos.
Segundo o senador, caso seja eleito presidente da República, o Brasil integraria o chamado “Escudo das Américas”, grupo citado por ele ao lado de países governados por líderes como Javier Milei, Nayib Bukele e Daniel Noboa.
O parlamentar também afirmou que discutiu com Trump temas econômicos relacionados a terras raras, minerais estratégicos e tarifas comerciais. Segundo ele, o Brasil poderia se tornar uma alternativa à China no fornecimento desses recursos para os Estados Unidos.
A reunião teria durado cerca de uma hora e quarenta minutos e contou ainda com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo.
Analistas políticos avaliam que o encontro também teve impacto na disputa política interna do PL. Para a professora da UFMG Mara Telles, a agenda buscou fortalecer a imagem de Flávio Bolsonaro dentro do partido e junto à militância bolsonarista.
Já o cientista político Paulo Roberto de Souza classificou o resultado da reunião como “apenas uma foto”, avaliando que o principal efeito político dependerá da repercussão entre apoiadores e fora da base bolsonarista.
Fonte: Brasil de Fato
