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Israel intercepta flotilha com brasileiros a caminho de Gaza

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Embarcações da Flotilha Sumud com ajuda humanitária são abordadas em águas internacionais; sete brasileiros estão na missão.

Mais de 20 embarcações da Flotilha Sumud, que levava ajuda para a Faixa de Gaza, foram interceptadas por Israel na costa da Grécia. A operação que prendeu centenas de ativistas de vários países, inclusive do Brasil, ocorreu na madrugada desta quinta-feira (30), no horário de Brasília.

Os organizadores da frota, cujo objetivo é romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, haviam denunciado pouco antes que embarcações militares israelenses os haviam cercado “ilegalmente” na costa de Creta, em águas internacionais.

“Aproximadamente 175 ativistas de mais de 20 barcos […] seguem agora pacificamente em direção a Israel”, indicou o Ministério das Relações Exteriores israelense em comunicado.

As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e foram acusadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por ONGs estrangeiras de impedir a entrada de bens no território, o que resultou em uma grave escassez desde o início da guerra no território palestino, em outubro de 2023.

Por comunicado, a Sumud informou que parte da frota foi enviada para o sudoeste de Creta por segurança e que há dificuldades técnicas e interrupções no contato com alguns barcos. Sete brasileiros participam da missão. Dois deles, Mandi Coelho e Thiago Ávila, estavam em um dos barcos interceptados, enquanto os demais, Ariadne Telles, Beatriz Moreira, Lisi Proença, Leandro Lanfredi e Lucas Gusmão, estão nas embarcações redirecionadas para Creta.

Familiares e organizações expressam profunda preocupação com a integridade física dos ativistas, dado o histórico de ataques violentos a flotilhas anteriores, segundo os organizadores. As entidades exigem que o governo brasileiro intervenha imediatamente para garantir a segurança de seus cidadãos e chamam a comunidade internacional para pressionar pelo fim do bloqueio a Gaza e assegurar o direito à entrada de ajuda humanitária.

“No momento em que publicamos este comunicado (1h30 no horário de Brasília), pelo menos 22 dos 58 barcos da frota foram tomados de assalto pelas forças israelenses, em total violação do direito internacional”, afirmou a frota Global Sumud, que partiu em abril de costas europeias.

Em contraste com os números israelenses, a organização informou posteriormente, em uma videoconferência, que 211 pessoas foram interceptadas, entre elas 11 franceses. Não detalhou as demais nacionalidades, mas a porta-voz do comboio, Hélène Coron, assegurou que o grupo era composto por “48 delegações”.

Armas e lasers

Durante a noite, a frota havia afirmado que seus barcos foram “cercados ilegalmente” por navios israelenses e que “o contato com 11 embarcações foi perdido”. Uma fonte da Guarda Costeira grega disse à AFP que, naquele momento, a corporação recebeu um “sinal de socorro”, razão pela qual enviou uma embarcação à área, a 95 quilômetros de Creta.

“Assim que a lancha patrulheira chegou ao local, foi informada de que ninguém estava em perigo e que não era necessária assistência”, afirmou, ao detalhar que sua “única jurisdição (em águas internacionais) é a de busca e resgate”.

“Nossos barcos foram abordados por lanchas militares, cujos ocupantes se identificaram como sendo de ‘Israel’”, denunciou também a flotilha na rede social X. O texto acrescentou que os ocupantes foram “apontados com lasers e armas de assalto semiautomáticas” e que os soldados “ordenaram aos participantes que se agrupassem na parte dianteira dos barcos e ficassem de quatro”.

Essa flotilha partiu de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália) nas últimas semanas.

Histórico

Dois comboios internacionais anteriores, com ativistas como Greta Thunberg e algumas figuras de países latino-americanos, foram interceptados pela Marinha israelense em frente às costas do Egito e de Gaza no verão e no outono europeus de 2025. A abordagem desses barcos por parte das forças israelenses foi considerada ilegal pelos organizadores e pela Anistia Internacional, e gerou condenações em nível internacional.

Os membros da tripulação foram presos e expulsos por Israel. A Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamista palestino Hamas, está submetida a um bloqueio israelense desde 2007.

O genocídio israelense no território palestino, em vigor desde 7 de outubro de 2023, provocou uma grave escassez de alimentos, água, medicamentos e combustível, além da morte de mais de 70 mil palestinos, a maioria mulheres e crianças. Desde o início de um precário cessar-fogo entre as partes em outubro passado, o Exército israelense controla mais da metade do pequeno território costeiro palestino, onde o acesso da ajuda humanitária continua restrito.

Fonte: Brasil de Fato

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