Maricá encerra Festival de Cinema e Política com Hildegard Angel e filme Zuzu Angel

Compartilhe essa matéria:

Evento teve roda de conversa emocionante com Hildegard Angel e exibição do filme Zuzu Angel

A Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Cultura e das Utopias, encerrou neste domingo (29/06) o II Festival de Cinema e Política com uma programação marcada por emoção, memória e um firme compromisso com a democracia. A última mesa do evento, intitulada Cinema, Política e Contemporaneidade, reuniu nomes de peso para um debate profundo sobre cultura, história e resistência.

Entre os convidados estavam a jornalista e ativista Hildegard Angel, o cineasta Sérgio Rezende, o historiador Francisco Carlos Teixeira e o secretário municipal de Cultura, Sady Bianchin, que atuou como mediador da roda de conversa. O auditório teve excelente participação do público, que acompanhou com atenção as falas potentes que marcaram o encerramento do festival.

🎙️ Memória e resistência como centro do debate

Abrindo o encontro, o historiador Francisco Carlos Teixeira destacou o samba como expressão política e forma de resistência popular. “O samba nasce da dor e da esperança. Quando os poderosos proibiam, o povo sambava. É história e é luta”, afirmou.

O secretário Sady Bianchin reforçou o papel da cultura como política pública, citando como exemplo o Passaporte Universitário: “Não tratamos cultura como mero entretenimento, mas como direito. Esse programa já mudou milhares de vidas em Maricá”, declarou.

Hildegard Angel emocionou a plateia ao relembrar a trajetória da mãe, a estilista Zuzu Angel, e do irmão Stuart Angel, militante assassinado pela ditadura militar.

“Minha mãe usou a moda como grito silencioso contra o regime. Transformou dor em denúncia. Ela foi assassinada em 1976, e sua história é símbolo da luta por verdade e justiça”, disse.

Hildegard também criticou o uso distorcido do conceito de patriotismo: “Ele foi sequestrado por quem quer apagar a história. Mas precisamos resistir. E a cultura é uma das formas mais poderosas de resistência”.

O cineasta Sérgio Rezende, diretor do filme Zuzu Angel (2006), exibido após o debate, compartilhou bastidores da produção e ressaltou: “O Brasil tem sede de conhecer suas próprias histórias. Zuzu é uma personagem que representa todas as lutas por dignidade e memória”.

🎬 Cinema como ato político

O filme Zuzu Angel, estrelado por Patrícia Pillar, foi exibido para um público atento e comovido. A sessão foi marcada pelo silêncio respeitoso e por muitos olhares emocionados.

“O festival mostra que a arte e a política podem caminhar juntas para promover reflexão, memória e transformação social”, afirmou Rezende.

Durante vários dias, o II Festival de Cinema e Política reuniu nomes como Frei Betto, Daniel Filho, Susanna Lira, Cid Benjamin, entre outros, em mesas, exibições e debates que abordaram temas atuais e históricos, sempre com entrada gratuita.

Sobre o autor(a)


Compartilhe essa matéria: