Feira das Yabás celebra cultura negra e movimenta o Centro de Maricá
Evento teve roda de samba, gastronomia típica, homenagens e manifestações culturais afro-brasileiras
A Prefeitura de Maricá, por meio da Maricá, Arte, Roteiro e Experiência (MARÉ), promoveu no Centro uma edição especial da tradicional Feira das Yabás, em celebração ao Dia da Consciência Negra. A programação levou ao público uma série de atividades marcadas por samba, gastronomia e manifestações culturais afro-brasileiras.
A proposta foi preservar a essência da feira carioca criada em Madureira, reunindo culinária de matriz africana, música e encontros comunitários, agora adaptados ao cenário maricaense. O evento ocorreu no trecho da Rua Alferes Gomes, entre as ruas Domício da Gama e Nossa Senhora do Amparo, com o palco montado em frente ao Cine Henfil.
“Em Maricá corre a cultura negra e não vamos largar mais a Feira das Yabás. Estamos incorporando também as Yabás da nossa cidade. É um projeto que veio para ficar. A primeira edição de muitas”, comentou o prefeito Washington Quaquá.
O ponto alto da programação foi a roda de samba comandada pelo idealizador da feira original em Madureira, Marquinhos de Oswaldo Cruz. A apresentação contou com as Velhas Guardas da Portela e do Império Serrano, além das baterias da Portela e da União de Maricá, que dividiram o palco em celebrações que ressaltaram os laços históricos entre o samba, a resistência negra e a memória cultural brasileira.
Gastronomia típica
Ao longo da feira, barracas com pratos tradicionais das Yabás atraíram o público. Era possível encontrar feijoada, carré, frango com quiabo, rabada com agrião, entre outras opções da culinária afro-brasileira.
O presidente da MARÉ, Antonio Grassi, destacou a valorização das tradições maricaenses e o diálogo com o idealizador da feira.
“Em Maricá, existe uma culinária local, como a moqueca com pirão de banana, que precisa ser valorizada. Esta é uma edição inicial, um projeto-piloto, com o objetivo de promover não apenas figuras de destaque de Oswaldo Cruz, mas principalmente artistas e produtores locais”, afirmou.
Admiradora da cidade, Ana Regina de Oliveira participa das feiras em Madureira e levou à edição de Maricá a receita do tradicional frango com quiabo.
“Esta feira representa ancestralidade. Cada participante carrega uma história que se manifesta em cada prato. Tenho o prazer de cozinhar e receber pessoas. Isso me remete às tradições familiares”, contou.
O amor familiar pela culinária também marcou a presença de Gladstone Nascimento Cruz. Sobrinho da Tia Vicentina, da tradicional Feijoada da Portela, Tuninho — como prefere ser chamado — assumiu a barraca após o falecimento da mãe, Marlene, mantendo a tradição familiar.
“Essa feijoada é uma tradição da minha família há décadas. Começou com a minha tia, passou para a minha mãe e hoje está comigo. Mesmo depois que ela partiu, eu nunca deixei a tradição morrer. Faço questão de estar em todas as edições da feira, porque aqui a gente serve história, memória e amor”, disse.
A professora Márcia Souza saiu de Itaipuaçu para prestigiar o evento. Para ela, a celebração é um reconhecimento da identidade cultural maricaense.
“É uma forma de valorizar a cultura e a história, principalmente considerando que a maior parte da população é negra e ainda é tratada como minoria”, afirmou.
A programação se estendeu até o início da noite, com homenagens e intervenções culturais que destacaram o legado afro-brasileiro e reforçaram a importância da data.
Fotos: Adriano Marçal

