Exército de Lula registra engajamento 76 vezes mais rápido que Tropa de Flávio nas eleições

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Comparativo revela disparidade de velocidade e proatividade entre os dois grupos de apoio nos bastidores do segundo turno eleitoral

Maior, mais rápido e proativo: a comparação entre os grupos de WhatsApp que mobilizaram parte da campanha eleitoral do segundo turno das eleições aponta uma grande vantagem do “Exército de Lula” em relação à “Tropa do Flávio”. Uma missão dada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) chegou a demorar apenas 19 segundos para ser cumprida, enquanto a missão do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com resposta mais rápida demorou 24 minutos para chegar às redes sociais, aponta uma análise feita pela Ipse Global, empresa de pesquisa de opinião.

Além disso, o grupo de apoio ao senador e candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), terminou as eleições com 2 milhões de integrantes, enquanto o de apoio ao presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, passou de 10,5 milhões, ou seja, número cinco vezes maior. Iniciados no primeiro dia após o resultado do primeiro turno, os dois grupos arregimentavam seguidores para engajamento nas redes sociais, por meio de vídeos, posts e hashtags.

Se levar em conta o tempo médio de reação, os valores são muito maiores. Enquanto a média de reação no “Exército de Lula” foi de 3,4 minutos entre os dias 18 e 24 de outubro, a reação da “Tropa do Flávio” foi de 13 horas e 17 minutos.

O engajamento de missão mais rápido foi a hashtag #LulaDeuShow, que levou 19 segundos para surgir nas redes sociais, seguida de #somaisumvotoprolula, que demorou 24 segundos. Já #naocaleonordestino, da “Tropa do Flávio”, demorou 24 minutos para chegar às redes.

O engajamento mais lento do grupo de Lula foi a #virotedoexército, que demorou 40 minutos. Já do lado de Flávio, a #todoscontraoPT demorou 35 horas e 39 minutos para começar a rodar nas redes.

Além de maiores em números, a proatividade dos “soldados” de Lula era mais intensa. Para cada uma pessoa que interagia no lado de Nikolas, 35 pessoas do lado de Janones se mobilizavam. Os números das interações nas redes sociais mostram essa diferença.

Nikolas Ferreira foi o maior emissor do campo de Flávio Bolsonaro, com 212 publicações e 63,6 milhões de interações entre 18 e 24 de outubro, cerca de 300 mil por publicação. André Janones publicou bem menos, 23 vezes, com 34,9 milhões de interações, cerca de 1,5 milhão por publicação. Mas as missões do canal de Janones foram publicadas por 2,3 mil perfis diferentes, que somaram 25,8 milhões de interações no mesmo período.

“O Nikolas concentrou tudo em si e o Janones ensinava as pessoas por meio de tutoriais. A ‘Tropa do Flávio’ era uma coisa mais marqueteira”, aponta o diretor-executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães. No fim da primeira live com o presidente Lula, por exemplo, Janones incentivava no grupo que os próprios internautas fizessem cortes de vídeos para postar.

Além disso, nas vésperas do segundo turno, houve um arrefecimento do grupo pró-Flávio e uma aceleração no grupo pró-Lula. A “Tropa do Flávio” foi de 40 mensagens em 20 de outubro para cerca de 20 por dia no meio da semana, com um repique de 56 no dia do debate da TV Globo e 13 na véspera das eleições. Já o “Exército do Lula” publicou 94 mensagens em 20 de outubro e 167 no dia do debate.

Divulgação dos feitos do Lula 3

Além dos esclarecimentos técnicos de Janones, que procuravam garantir engajamento sem impulsionar o lado adversário, o “Exército de Janones” teve importante papel para esclarecer os pontos positivos do governo Lula, ajudando a militância na argumentação.

“Desde novembro de 2025, a Ipse Global vem fazendo sistematicamente grupos focais no Brasil todo. O que a gente já tinha apontado era a questão da avaliação de governo, porque as pessoas não sabiam defender o governo. Elas não tinham argumentos para defender o governo atual. Elas não sabiam o que foi entregue. Em um debate cara a cara, não sabiam dizer. A única motivação que tinham de votar de novo no Lula era só para não deixar o bolsonarismo entrar”, lembrou o pesquisador.

“Então tem vários elementos que são da política, que não são da técnica, que propiciaram que o sucesso de Janones acontecesse. Agora, claro, sem a técnica, obviamente também não haveria esse bom resultado”. Além disso, ressalta Magalhães, um fator significativo para o resultado do segundo turno que o mundo digital não mede é a mobilização das ruas.

Enquanto o “Exército de Lula” focava em enaltecer Lula e as conquistas dos seus governos, ao mesmo tempo que atacava o adversário com mensagens como #abreosigiloflavio, a “Tropa do Flávio” insistia em fake news, discurso de ódio ao PT ou focados na violência urbana, mesclando com poucos vídeos e mensagens propositivas.

Outro dado interessante é a mudança de sentimentos explicitados nas interações. Antes do primeiro turno, o campo de Flávio era o mais raivoso, com 32% das interações, e no segundo turno caiu para 4%, enquanto a indignação do campo de Lula foi de 16% para 40%. Segundo Magalhães, “a troca de papéis emocionais entre os campos acompanhou a troca de papéis na mobilização”. Para ter acesso às pesquisas da Ipse Global, que também fez um levantamento sobre votos nas favelas, quilombos e terras indígenas, clique aqui.

Após o dia 25, o “Exército do Lula” continua ativo, enquanto a “Tropa do Flávio” parou de postar.

Gráfico mostra a ampliação das atividades a pator do 'Exército do Lula' nos dias próximos às eleições.
Gráfico mostra a ampliação das atividades a pator do ‘Exército do Lula’ nos dias próximos às eleições | Crédito: Ipse Global

Fonte: Brasil de Fato

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