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Xi Jinping reforça parceria com Putin e critica fascismo

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Líderes assinaram mais de 40 acordos e reforçaram parceria estratégica entre China e Rússia durante reunião em Pequim

O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta quarta-feira (20) ao presidente russo, Vladimir Putin, que China e Rússia devem se opor a todos os atos que neguem as conquistas da vitória na Segunda Guerra Mundial e tentem reabilitar o fascismo e o militarismo. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa conjunta no Grande Salão do Povo, em Pequim, segundo comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores da China.

A visita de Putin à China ocorre menos de uma semana após o encontro de Xi com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também em Pequim.

“A China e a Rússia devem assumir com firmeza o papel de potências responsáveis, defender a autoridade da ONU [Organização das Nações Unidas] e a justiça e equidade internacionais, opor-se a todos os atos unilaterais, bullying e retrocessos históricos, e especialmente a todas as provocações que negam os frutos da vitória na Segunda Guerra Mundial e tentam reabilitar e reviver o fascismo”, disse Xi.

Os dois presidentes assinaram duas declarações conjuntas ao nível dos chefes de Estado: uma sobre o fortalecimento da parceria estratégica e o aprofundamento da cooperação de boa vizinhança, e outra defendendo a formação de um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais.

Na cerimônia, também foram assinados 20 acordos intergovernamentais e interdepartamentais nas áreas de economia, comércio, educação, ciência e tecnologia. Outros 20 documentos foram firmados à margem das negociações, totalizando 42 acordos e declarações ao longo da visita. Como última agenda, está prevista uma reunião reservada entre os dois chefes de Estado ainda na noite desta quarta.

Esta é a 25ª visita de Putin à China. Ao longo dos anos, os dois líderes já se encontraram mais de 40 vezes, considerando visitas de Estado e reuniões à margem de fóruns multilaterais. O último encontro havia ocorrido em setembro de 2025, quando Putin esteve em Pequim para a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai e as comemorações dos 80 anos da vitória na Guerra Mundial Antifascista.

Putin chegou ao Grande Salão do Povo com uma das maiores delegações que já trouxe à China: ministros, líderes empresariais, representantes de organizações públicas e educacionais.

“Hoje, nossas relações atingiram um nível sem precedentes, representando um modelo de parceria verdadeiramente abrangente e interação estratégica”, disse o líder russo.

O encontro coincide com dois aniversários. São 25 anos desde a assinatura do Tratado de Boa Vizinhança e 30 anos desde o estabelecimento formal da parceria estratégica sino-russa. Xi afirmou na coletiva que as relações entre os dois países chegaram ao nível mais alto da história e estabeleceram um modelo para um novo tipo de relacionamento entre grandes potências.

Contra-hegemônicos

Xi reiterou alguns conceitos que tem utilizado nos últimos encontros, tanto com o próprio Putin como com outros líderes do Sul Global,

“O unilateralismo e o hegemonismo são profundamente prejudiciais, e, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas], a China e a Rússia devem cumprir firmemente suas responsabilidades como grandes potências, defender a autoridade da ONU e a justiça e equidade internacionais”.

O presidente chinês também defendeu aprofundar a cooperação econômica entre os dois países em áreas estratégicas.

“Ambos os lados devem promover a modernização da cooperação em comércio, investimento, recursos energéticos, transporte e inovação tecnológica, e planejar ativamente a cooperação em áreas de ponta para criar novos motores de crescimento com novas forças produtivas”.

A parceria de mais alto nível político

No sistema diplomático da China, as parcerias externas são classificadas em diferentes níveis. A relação com a República Popular Democrática da Coreia é a única que conta com uma obrigação jurídica de defesa mútua automática, baseada no Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua assinado em 1961.

Do ponto de vista político, no entanto, a parceria com a Rússia é considerada a de mais alto nível entre grandes potências. O nome oficial, conforme consta em declarações conjuntas desde 2019 e reafirmado nesta quarta, é “Parceria de Coordenação Estratégica Integral para uma Nova Era”, uma classificação que, no sistema diplomático chinês, está acima das demais parcerias estratégicas que Pequim mantém com dezenas de outros países, incluindo Brasil, Paquistão e África do Sul. A palavra-chave é “coordenação estratégica”, que nos documentos chineses indica alinhamento profundo em política, segurança, economia, tecnologia e atuação conjunta no Conselho de Segurança da ONU.

Xi disse também que China e Rússia devem aprofundar o alinhamento do 15º Plano Quinquenal chinês com a estratégia de desenvolvimento russa até 2030 (oficialmente “Objetivos de Desenvolvimento Nacional da Federação Russa para o período até 2030 e para a perspectiva até 2036”).

O presidente chinês citou que o comércio bilateral ultrapassou 200 bilhões de dólares (mais de R$ 1 trilhão) por três anos consecutivos e cresceu quase 20% nos primeiros quatro meses de 2026.

Energia e educação

Antes de partir para Pequim, Putin havia afirmado que a Rússia está pronta para garantir o fornecimento “ininterrupto” de petróleo, gás natural e carvão ao mercado chinês. O presidente russo disse que, em meio à crise na Ásia Ocidental, a Rússia segue cumprindo seu papel como fornecedora confiável de recursos, enquanto a China permanece consumidora responsável, segundo a agência russa Tass. A cooperação energética é apresentada pelos dois governos como a força motriz da cooperação econômica bilateral.

Na agenda da tarde, os dois presidentes anunciaram o “Ano da Educação China-Rússia”, a ser realizado em 2026 e 2027. É o décimo ciclo temático bilateral entre os dois países, após o “Ano da Cultura Rússia-China”, encerrado recentemente. Xi disse que a iniciativa deve ampliar os intercâmbios estudantis, aprofundar a cooperação entre universidades e avançar em pesquisa científica conjunta e formação de talentos.

Putin afirmou na coletiva que o desenvolvimento das relações entre os dois países possui impulso próprio e não é afetado por mudanças geopolíticas. O presidente da Rússia disse que trabalhará lado a lado com a China para fortalecer os intercâmbios entre os povos dos dois países e contribuir para o desenvolvimento e a revitalização mútua.

A declaração conjunta assinada pelos dois líderes define os principais caminhos de desenvolvimento das relações bilaterais e apresenta uma visão compartilhada sobre questões da agenda internacional, segundo o assessor presidencial russo Yuri Ushakov.

Xi afirmou que China e Rússia devem fortalecer a coordenação em plataformas multilaterais como a ONU, a Organização para Cooperação de Xangai, o Brics e a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), e trabalhar conjuntamente pela reforma do sistema de governança global.

Fonte: Brasil de Fato

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