Maricá fortalece produção local e amplia mercado de alimentos da cidade
Companhia Maricá Alimentos aposta em beneficiamento, agricultura familiar e economia azul para diversificar a economia do município
A Prefeitura de Maricá, por meio da Companhia Maricá Alimentos (Amar), destacou nesta terça-feira (19/05), durante participação no programa Maricá em Pauta, da rádio 88,1 FM, os projetos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar, da pesca artesanal e do beneficiamento de alimentos produzidos no município.
A Amar atua na conexão entre produção local, geração de renda, agregação de valor e abertura de novos mercados, integrando a estratégia da cidade para diversificação econômica e preparação para um cenário de redução futura dos royalties do petróleo.
Um dos destaques foi a participação de Maricá na Brasil Origem Week, realizada em Portugal, onde foram apresentados produtos desenvolvidos no município, como macarrão de aipim, frutas desidratadas, chocolate e projetos ligados ao pescado enlatado.
“O alimento é hoje um dos principais temas do mundo, e Maricá pode ser uma potência na produção, comercialização e distribuição de alimentos para outras cidades, estados e até para o mercado internacional”, afirmou o presidente da Amar, Marlos Costa.
Segundo Marlos, a presença em eventos nacionais e internacionais fortalece a marca da cidade e amplia oportunidades de negócios.
“Além de divulgar a cidade internacionalmente, levamos produtos alimentícios de Maricá para que sejam conhecidos fora do Brasil. O objetivo é que Maricá se desenvolva também como destino turístico e como referência em novas atividades econômicas”, explicou.
Beneficiamento amplia valor da produção local
Ainda em 2026, a Amar prevê avanços em novas unidades produtivas, incluindo fábricas de chocolate e café. A proposta envolve produtos de alto valor agregado, como chocolate produzido com cacau agroecológico em sistema agroflorestal e café de pequenos produtores brasileiros, que será torrado, moído e encapsulado em Maricá.
“É importante ressaltar que Maricá tem procurado desenvolver novas atividades econômicas, já preparando o município para um futuro de possível escassez dos recursos de royalties e participações especiais do petróleo. A intenção é criar novas cadeias produtivas que gerem renda, emprego e receita para a cidade”, destacou.
Entre os projetos em andamento está o centro de filetagem de pescado, em construção no Espraiado, em parceria com uma cooperativa de pescadores. A unidade permitirá o processamento e comercialização do pescado local com maior valor agregado.
“A tilápia pescada nas lagoas pode ser comercializada por cerca de R$ 5 o quilo. Quando esse pescado é filetado, conseguimos multiplicar esse valor. Por isso, é fundamental que o município tenha indústrias de beneficiamento de alimentos. Isso agrega valor ao produto, gera mais receita, emprego e renda para a cidade”, afirmou Marlos.
A companhia também trabalha em um projeto de enlatamento de pescado, cuja fábrica tem previsão de começar a ser construída no segundo semestre deste ano. A iniciativa contempla produtos como pirarucu, tilápia e outros pescados com potencial de comercialização nacional e internacional.
“Há décadas os pescadores artesanais da cidade esperam uma unidade de beneficiamento. Queremos inverter a lógica atual, fazendo com que a maior parte da receita fique nas mãos de quem trabalha, de quem sai para o mar, para a lagoa e de quem faz a criação em tanques”, disse.
Apoio à agricultura familiar
Durante a entrevista, também foi destacado o termo de fomento firmado entre a Amar e a Associação de Agricultura Familiar de Maricá (Afamar), no valor de R$ 150 mil. O recurso será destinado à compra de insumos, preparação da terra, colheita e fortalecimento da estrutura produtiva dos agricultores locais.
“Nós temos uma grande parceria com a Associação de Agricultura Familiar de Maricá. Esse termo de fomento permite que a associação tenha capacidade de comprar insumos, preparar a colheita e depois colher. A Amar também tem o compromisso de comprar essa produção ao final, para colocá-la no mercado”, explicou Marlos.
Economia azul e parceria internacional
Durante a Brasil Origem Week, a Amar assinou ainda um pré-contrato com o grupo espanhol MSB, referência na Galícia no cultivo e beneficiamento de mexilhões. O objetivo é implantar em Maricá uma tecnologia inédita no Brasil voltada ao cultivo, crescimento e beneficiamento de mariscos.
“Assinamos esse pré-contrato com um grupo espanhol que atua no cultivo de mexilhões na Galícia. Queremos trazer essa tecnologia para Maricá e fazer com que a cidade se torne uma das maiores produtoras de mexilhões do Brasil”, afirmou.
A iniciativa integra a chamada economia azul, baseada no uso sustentável dos recursos marinhos para geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico.
“A economia azul é uma economia limpa e sustentável. Maricá se coloca na linha de frente ao resgatar a tradição da pesca artesanal e, ao mesmo tempo, avançar no beneficiamento, na industrialização e na produção em escala. Isso significa mais postos de trabalho e mais desenvolvimento para a cidade”, concluiu.
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