rússia, frança, polônia, dissuasão nuclear, otan, geopolítica, emmanuel macron, dmitry peskov, armamento nuclear

Rússia critica planos de cooperação nuclear entre França e Polônia

Compartilhe essa matéria:

Kremlin alerta que a “nuclearização” da Europa prejudica a estabilidade; Macron busca estender proteção nuclear a aliados da Otan.

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que os detalhes das possíveis negociações entre a França e a Polônia sobre a realização de exercícios nucleares conjuntos precisam ser esclarecidos.

 

“Precisamos esclarecer os detalhes: quais armas específicas estão sendo discutidas e em quais países”, observou Peskov. Segundo ele, a possível discussão entre a França e a Polônia sobre exercícios nucleares conjuntos demonstra, mais uma vez, o desejo da Europa por uma maior militarização e nuclearização da região.

“Isso não contribui para a estabilidade e a previsibilidade no continente europeu”, concluiu o secretário de imprensa da presidência russa.

Anteriormente, foi noticiado que Paris e Varsóvia estão discutindo exercícios conjuntos como parte do envolvimento da Polônia no sistema de dissuasão nuclear francês. O presidente francês, Emmanuel Macron, esclareceu que os assuntos em discussão entre os países incluem troca de informações e exercícios conjuntos.

Ele enfatizou que Paris e Varsóvia estão cooperando no âmbito de uma iniciativa francesa para engajar os aliados europeus da Otan no sistema de dissuasão nuclear.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, por sua vez, observou que, no mundo moderno, os países europeus precisam de capacidades de dissuasão nuclear. Em particular, ele destacou a prontidão da França em auxiliar na defesa das fronteiras orientais da Polônia, particularmente com Belarus e o enclave russo de Kaliningrado.

Além disso, em anúncio foi feito na última segunda-feira (20), durante uma reunião conjunta entre o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro polonês Donald Tusk, em Gdansk, na Polônica, os dois países afirmaram que construirão conjuntamente um satélite espacial que fornecerá um canal de comunicações militares seguro para as Forças Armadas Polonesas.

O debate sobre a disuassão nuclear europeia ganhou fôlego ainda no começo de março, quando Emmanuel Macron anunciou o plano de aumentar o número de ogivas nucleares da França e a intenção de estabelecer na Europa um “guarda-chuva nuclear”.

A França planeja aumentar seu arsenal e estender a proteção nuclear a seus parceiros. Entre os países mencionados estão Alemanha, Polônia, Grécia, Holanda, Bélgica, Dinamarca e Suécia. A cooperação prevê exercícios conjuntos com componente nuclear e o possível destacamento temporário de caças franceses com armamento nuclear em seus territórios.

O presidente francês citou as ameaças da Rússia e da China, bem como a mudança nas prioridades de defesa dos EUA, como razões para a mudança de estratégia.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Grushko, por sua vez, em entrevista à agência estatal russa RIA Novosti, afirmou que, ao atualizar sua lista de alvos em caso de um conflito de grande escala, as forças armadas russas “serão obrigadas” a levar em consideração as intenções da França de implantar suas armas nucleares no território de países europeus não nucleares.

“Obviamente, nossas Forças Armadas serão obrigadas a dar a máxima atenção a essa questão no contexto da atualização da lista de alvos prioritários em caso de um conflito de grande escala”, afirmou Grushko.

Fonte: Brasil de Fato

Sobre o autor(a)


Compartilhe essa matéria: