Alzheimer: Sociedade de Geriatria do Rio alerta para sinais e destaca novo tratamento
Diagnóstico precoce, novo tratamento e rede de cuidados multidisciplinar podem retardar avanço da doença
Um dos tipos mais comuns de demência, a doença de Alzheimer afeta milhares de pessoas em todo o mundo e tem registrado crescimento, especialmente em países em desenvolvimento, que ainda enfrentam a transição demográfica do envelhecimento populacional. No Dia Mundial do Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (SBGG-RJ) reforça a importância de identificar os primeiros sinais da doença e buscar avaliação médica precoce.
No Brasil, estima-se que 1,2 milhão de pessoas vivam com demência, sendo a maioria dos casos de Alzheimer, segundo o Ministério da Saúde. A idade avançada é o principal fator de risco, mas condições como hipertensão, diabetes, sedentarismo e estilo de vida também influenciam no desenvolvimento da doença.
“Quanto mais envelhecemos, maior é o risco de desenvolver essa doença. É muito importante que o geriatra esteja envolvido no diagnóstico e na orientação correta, para diferenciar o que é um esquecimento normal do esquecimento patológico. Além disso, medidas de prevenção ajudam a retardar a progressão da doença”, explicou o geriatra Ivan Abdalla Teixeira, presidente da SBGG-RJ.
Diagnóstico e primeiros sinais
Alterações como doenças da tireoide, deficiências de vitaminas e infecções podem simular sintomas de Alzheimer. Por isso, a avaliação médica é essencial para evitar diagnósticos tardios.
“O diagnóstico precoce orienta tanto no uso de medicamentos quanto em medidas não farmacológicas. Esquecimento de compromissos, de contas ou senhas, dificuldades em tarefas simples e mudanças comportamentais podem ser sinais de alerta”, destacou Abdalla.
Avanços no tratamento
Em abril deste ano, a Anvisa aprovou o Kisunla (donanemabe), anticorpo monoclonal da farmacêutica Eli Lilly que atua diretamente na proteína beta-amiloide, associada ao Alzheimer.
“Apesar do pouco tempo desde seu lançamento, já se comprovou benefício em pessoas com demência inicial. A medicação não é indicada para casos avançados, mas pode retardar o avanço da doença em cerca de 37%. Ainda assim, o uso precisa ser avaliado por um médico, já que possui contraindicações e custo elevado”, afirmou o geriatra.
Rede de cuidados e apoio familiar
O cuidado com a pessoa com Alzheimer deve envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo geriatras, gerontólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, enfermeiros e dentistas.
“O especialista em gerontologia é um diferencial no diagnóstico precoce e no cuidado com a pessoa com Alzheimer. Além disso, auxilia familiares e cuidadores, prevenindo o burnout e a sobrecarga”, ressaltou Beatrice Carvalho, presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-RJ.
O objetivo, segundo ela, é ir além do tratamento clínico, garantindo também qualidade de vida, suporte emocional e integração social para pacientes e famílias.
Setembro Lilás
O Setembro Lilás é reconhecido internacionalmente como o mês mundial de conscientização sobre o Alzheimer, instituído pela Alzheimer’s Disease International (ADI). No Rio de Janeiro, a programação inclui debates, caminhadas e ações educativas.
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19/09 (sexta-feira), 10h – Encontro com especialistas no Instituto de Psiquiatria da UFRJ
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21/09 (domingo), 9h – Ação educativa na Praia do Flamengo, Posto 3, com caminhada, rodas de conversa e atividades culturais
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21/09 (domingo), 20h – Iluminação do Cristo Redentor na cor lilás
📸 Foto: Gabriel Ferreira

